sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Outra forma de amar

Depois de tanto tempo sozinho a gente acostuma a solidão, à falta de carinho e afeto, ao calor humano e reciprocidade. Até que um dia tudo começa de novo. Beijos doces e inocentes, abraços carinhosos, um colo de pai e mãe que às vezes não se tem em casa.
É quase como adotar um filho, todas as alegrias e tristezas numa mesma hora. Você chora, dá gargalhadas de tirar o fôlego, às vezes quer dar um puxão de orelha e noutro um afago. Sorrisos de leite, iogurte, chocolate, picolé. Olhos que brilham, braços abertos a lhe esperar, uma doçura infinita.
Ser amado sem saber o motivo. Talvez o bom dia incessante, ou talvez por que você se preocupa em perguntar como foi o fim de semana, se dormiu bem...
Reciprocidade. É isso o que define os relacionamentos infantis. Amor. Incondicionalmente, escancaradamente. Há momentos em que o que você mais quer é poder levar pra casa e cuidar como se fosse seu, ou então entrar na fila de espera para adoção. Crianças mexem comigo.
A outra coisa que mexe comigo é a maldade no coração das pessoas. Talvez a falta de amor as tenha tornado esse tipo de pessoa rancorosa que vê maldade em tudo.  A falsidade, cinismo e descaramento de algumas pessoas me causam repulsa.
Intolerância, talvez inveja, preconceito e religiosidade antiquada permeiam âmbitos que não deveriam. Um completo desrespeito.
E derepente toda a sua dedicação e carinho pelo trabalho se esvai como um balão furado. Não tem mais prazer no que faz e você começa a perceber olhares indigestos. É como se tivesse contraído uma doença contagiosa, como se quisessem te queimar vivo.
Então você esmorece e espera que tudo acabe. Vai aguentando as pontas até quando der, e quando não da mais, esquece todos os planos e sai do mundinho fechado ao qual ficou recluso à espera da liberdade.
Liberdade esse que não veio em sua totalidade e que provavelmente nunca virá.

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