sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Amigos Sinceros

Sabe quando dois dos seus melhores amigos namoram e depois de um tempo terminam? Se não sabem, dêem graças a Deus. Não sabe como é difícil essa situação. Não queiram passar por isso.
Fica um clima tenso no ar e toda vez que os três estão juntos, você fica no meio, ilhado, sem saber o que fazer, sem ação com medo que um deles diga algo que não deve. 
Os dois competem para ver quem tem mais a sua atenção... Um tem Ciúmes por que você sai mais com o outro, e o outro com ciúmes por que você não conversa tanto com ele.
O pior de tudo é quanto um deles supera mais rápido que o outro. Você perde o chão, sem saber o que fazer. Se apoiar o outro vai dizer que você é cúmplice e se não, o outro vai dizer que você não quer vê-lo feliz.
Parece até que é você quem terminou a relação. Outra coisa chata quando você tem amigos que são ex namorados é o fato de ter que não coloca-los no mesmo ambiente. A não superação gera conflitos ainda piores.
Depois de um tempo você até acha que eles se superaram mas basta um acontecimento inédito, uma ligação preocupada de alguém para o número de quem não está mais presente na sua vida para que tudo venha por água a baixo. 
Todo o remendo que o ex demorou pra fazer a fim de consertar o rombo que o outro deixou vira cinzas. E começa tudo outra vez. Qualquer indício é suspeito, qualquer olhar mais sentimentalista, um movimento errado dá chances que na verdade não existe mais. E o que você faz? Não da pra saber. Se você vai levando e deixa acontecer naturalmente quando você perceber seu amigo já se magoou novamente, se corta o mau pela raiz, você esta sendo insensível e insensato. O que fazer? Deixar de lado aquilo que não lhe diz respeito. 
Mesmo sabendo que aquilo não vai acabar bem, mesmo que isso lhe machuque mais do que um corte no dedo, você precisa se afastar e deixar acontecer. É melhor que ele passe por isso para que amadureça. No inicio pode até parecer doloroso mas você como amigo fiel vai estar lá para enchugar as suas lagrimas. Vai estar lá para ele se sentir importante, seguro, amado e grato por você estar lá.
E quando, daqui a vinte anos, vocês se perguntarem por que são amigos, não seja necessário que sejam ditas palavras, apenas as lembranças e um acenar com a cabeça esclareça essa questão.
Amizade também é amor, cumplicidade, devoção, companheirismo, fidelidade, paixão... Amizade também é medo de ter que compartilhar as pessoas mesmo que você não queira, é ter que deixar as coisas acontecer mesmo sabendo que elas podem não dar certo, é não precisar ouvir um pedido de desculpas por que você já perdoou e o seu amigo sabe disso apenas pelo tom da sua voz, é ter que agregar novas pessoas na sua vida por que seu amigo também é amigo deles, é cuidar do machucado, ajudar na tarefa, emprestar uma roupa, oferecer ajuda... Amizade é sempre dar sem esperar nada em troca, enchugar as lagrimas do outro, pois amizade também é amor e amor não se troca, amor se dá.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Memória Escrita

Foi lindo. Lembro hoje com riqueza de detalhes todos os nossos momentos juntos, por mais que tenham sido poucos. Lembro da nossa conversa, na época do MSN ainda... Aquelas bobagens de adolescente, uma vergonha escondida num sorriso, um olhar sincero e interessado.
Lembro da primeira vez que nos vimos... Você finalmente concordou em me encontrar pessoalmente... Eu preferi um lugar público mas você insistiu em algo mais único então fomos para casa. Você chegou todo tímido e vermelho de vergonha na sua bicicleta prata com garupa e uma mochila preta nas costas. Um típico garoto do ensino médio.
Cabelo escuro cortado baixo, boca aveludada, aparelho nos dentes, olhos castanho escuro, pele broseada e corpo pré definido... Sim, você fazia natação perto de casa e nem sabia.
Foi tão engraçado. Você não sabia o que fazer eu não sabia onde sentar... Acabamos apenas assistindo um filme muito extranho o qual não recordo o nome, só sei que tem a ver com apartamento alguma coisa. Nenhum diálogo, eu achando que você não havia gostado de mim e VC o mesmo. Foi quando meu celular vibrou e eu vi uma SMS seu.
Oi. Ta tudo bem?
Extranho, duas pessoas no mesmo ambiente conversando via SMS. Mas de fato, era o único modo de conversarmos sem ter que nos encarar. Sem ter que olhar um no olho do outro, o único modo de não ficarmos nervosos e vermelhos.
Era umas cinco horas quando você foi embora. Nessa altura haviam chegado mais pessoas em casa e você se sentiu acoado. Achei que nunca mais veria você mas por incrível que pareça, foi só você chegar em casa que mandou outro SMS. Foi a primeira vez que fiquei tão ansioso por contatos seus.
Uma conversa um pouco longa... Uma ligação que nunca havia acontecido agora tinha se tornado realidade. Marcamos mais um filme para o outro dia.
Ah, dessa vez foi um milhão de vezes mais fácil. Você chegou sorrindo e me deu um beijo do rosto, então senti pela primeira vez sua pele colada na minha. O sorriso, o perfume, tudo o que se esperava.
Um abraço, caloroso e prazeroso, senti quando não esperava, e um pedido de desculpas também pela babaquisse de outrora.
Sentamos no mesmo sofá, comemos na mesma tijela, pipoca com gosto sapeca e tomamos no mesmo copo, coca cola com gosto de marotagem. Dessa vez me lembro o nome do filme, todo mundo em pânico. Era ridículo mas fazia você rir então estava tudo bem, e passou tão rápido que nem vimos. Era tão bom estar perto de você.
Foi aí que, para não ficarmos sem graça de novo e perder a conversa, você me mostra a coleção de séries que você era viciado na época. The walking dead. Perguntei sobre o que era e você me disse que era sobre zumbis, só esqueceu de dizer que eles era feios. A cada dois segundos eu dava um pulo ou escondia o rosto atrás de você, enquanto você se desmanchavam em risos. Sim, eu estava com medo mas depois, era só pra poder te tocar, estar mais perto do teu corpo quente e forte.
Quando percebi, já estávamos brincando e você me imobilizando. Confesso agora, você nunca teria me imobilizado, nunca; deixei que acontecesse pra almentar o seu ego. Parecia um sonho. E quando vimos já estávamos no chão, você me beijando e eu pensando que aquilo era um sonho.
Foi a melhor tarde da minha vida depois de muito tempo. Mas como tudo o que é bom dura pouco, já estava na hora de você ir embora. Mas dessa vez não fiquei com medo que não voltasse. Tinha certeza que você em pouco tempo voltaria. Mas isso nunca mais aconteceu.
Não me ligou mais, nem atendeu meus telefonemas, não mandou mais SMSs nem emails nem sinal de fumaça. Foi quando percebi que você já estava em outra e tudo o que vivemos foi em vão.
Hoje num futuro longincuo ainda me lembro cada detalhe, cada cheiro, cada sabor, cada imagem, cada som. Lembro-me inclusive a dor que senti e que hoje já não existe. Assim como nós também.
Escrevo isso não para lhe recordar, mas para poder esquecer. E daqui a um tempo, quando estiver velho e cansado, sem nada de importante para fazer, pegar os velhor escritos no sotom, as cartas talvez nunca abertas já empoeiradas e corroídas pelo tempo e tentar recordar de uma passado, de um nós que nunca existiu, só na minha mente e no meu coração, pois pra você, tudo não passou de uma brincadeira, que quando se cansa, para-se e não há mais memórias.