quarta-feira, 29 de abril de 2015

Dizer Adeus



Já sentiu como se tivesse dando adeus a alguém que você gosta muito? Como se nunca mais fosse ve-lo, ou estar perto novamente. Não me refiro àquele sentimento de morte literal, mas sim àquela morte quando alguém desaparece espontaneamente da nossa vida.
Sim, senti isso hoje e foi horrível. Aquelas poucas palavras trocadas significavam isso, pode parecer bobagem mas eu senti isso.
Senti que o nosso último encontro foi realmente o último mesmo que Não soubessemos isso. O último beijo, não foi dado com todo aquele fulgor, e o último abraço não foi tão quente. Talvez se soubessemos o que estaria próximo a acontecer, tivessemos aproveitado mais cada segundo com a presença mesmo que distante.
Talvez seja melhor assim, ou talvez melhor agora antes que as coisas piorem. Pelo menos ainda tenho guardado os momentos felizes que ainda não foram apagados pelo desgosto dos términos.
Talvez eles durem para sempre já que não haverá um próximo encontro, uma próxima discussão, um próximo beijo desligado e um próximo abraço  mesmo que frio. Talvez também não haja um término e isso me conforta um pouco.
Nunca fui de fechar parênteses na minha vida e isso é um pouco frustante, mas tbm tem seu lado bom. Nunca precisei dizer adeus. Essa palavra é para mim como um fuzilamento. Como se estivessem me roubando algo. Tirando de mim o que prezo. Acho que é por isso que sou tão bobo com as pessoas também. Não sei dizer não, adeus ou qualquer coisa a ver com negação. É por isso que me Machuco tanto também.
Talvez seja por isso também que não guardo magoas... Tenho medo que um dias as pessoas se vão e nunca mais voltem. Lembro-me até hoje de quase todas as pessoas que estiveram comigo na minha infância e juventude, quê dirá de alguém por quem me afeiçoei.
Mas adeus são necessários e a partir de hoje, estarei mais acostumado pois sei que todos somos livres, basta lembrar as pessoas disso e as asas baterão. A diferença está em casa coração... Os que voltarão... Ou não.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Liberdade


Não se pode prender as pessoas. Não da pra amarra-las em um cantinho e prender junto a si.
As pessoas vão, elas sempre vão. Vem como chuva de inverno e vão como o vento... Calmo, sereno, sem que se perceba.
Às vezes tentamos fazer com que as pessoas fiquem na nossa vida, tomem posse daquilo que é delas e tentamos faze-las enxergar aquilo que é óbvio, mas quase sempre não conseguimos.
Estão cegos e procuram algo que não existe. Nos resta então desatar os nós e deixa-las livres para irem a onde querem.
Desatamos os laços de carinho e amizade, abrimos mão de sua companhia para que essa pessoa possa se encontrar novamente... E provavelmente quando isso acontecer você já esteja bem, sem aquela dose diária da pessoa, sem lembranças recentes... E talvez o vazio deixado no passado nem tão distante já tenha sido preenchido. Não por outra pessoa, ou por algum sentimento... Mas é que no coração, o que não mata, fortalece.
Você sobrevive. A vida segue e talvez você perceba que tudo não passou de uma brincadeira de mau gosto. Mas passa, tudo passa.
Precisamos entender que as pessoas são livres, mesmo aquelas que amamos, e mesmo que saiam das nossas vidas, mesmo por vontade própria, ela não tem a obrigação de voltar. Deixe-as livres, o que for nosso, voltará.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Espaço e Tempo


Acho que já aprendi que não preciso de você única e exclusivamente pra mim. É, acho que posso dividir você. Não que eu não sinta ciúmes, mas aprendi que posso ser algo mais que esperava.
Não preciso ouvir sua voz todos os dias, ou te ver... Mandar flores e chocolates... Não preciso que você vá a todos os lugares comigo,ou conheça toda a minha família ou todos os meus amigos.
Não preciso que diga onde vai e com quem, eu só preciso saber que você esta bem. Só isso.
Preciso ter certeza de que esta é a escolha certa, que não vou me arrepender disso, e que isso nunca mude, a não ser pra melhor. Isso não quer dizer que eu quero ficar longe de você. Significa apenas que eu respeito seu espaço, e o espaço que você da a outras pessoas na sua vida.
Não preciso conhecer todos os seus amigos, nem dar presentes no dia dos namorados ou planejar cada segundo livre da minha vida pra passar com você.
Não quero prender você e depois ter que te soltar. Não quero perder você.
Talvez seja isso o por que de tudo. Tenho tanto medo em te perder de uma vez que preferi perder você aos poucos, pra doer menos, por que apesar de negar, eu sei que um dia isso vai acontecer.
Então se eu estiver muito chato, ou desligado de mais... Se demorar a responder ou se eu não te responder, não se preocupe. É apenas o tempo ocupando seu espaço.

No Tempo da Escola


No tempo da escola, a um bom tempo atrás eu tinha um amigo em especial. Lindo, charmoso, inteligente, sensível.... Um verdadeiro lord. Seu cabelo meio longo, sedoso e perfumado era um dos seus charmes. Os olhos escondidos em óculos de largura espessa, castanhos como uma nós, eram ocultos aos que não prestassem profunda atenção.
Um dia, talvez espantado por eu tanto olhar para seus olhos, me perguntou o que tanto me interessava. Disse que queria saber realmente de que cor eram seus olhos. Ele, simpático e gentil como sempre, tirou seus óculos sacudindo o cabelo preto, exalando o cheiro do seu perfume. Me entorpessendo com apenas um trago, e então, pude constatar rapidamente a profundidade daqueles lindos olhos.
A boca, o sorriso, pareciam de um boneco inanimado tamanha perfeição. O corpo, talhado em rocha, de cor branco mas não pálido. A mistura perfeita das cores da pele.
Foi talvez esse o primeiro amor da minha infância. Eu tinha apenas 11 anos mas aquele garoto era tudo o que eu desejava na minha vida. Nada fazia sentido se não tivesse ele comigo.
Mas foi aí que houve uma drástica mudança na minha vida. Teria que ir embora, ir pra um lugar desconhecido, sem parentes e amigos, sem alguém pra conversar... Teria que me mudar pra outro lugar. E fui. Nunca vou esquecer aquele 12 de dezembro.
Conversamos um pouco e ele tirou do bolso uma santinha com laço vermelho que carregava consigo. Ele disse que me protegeria. Perguntou o que eu tinha para ele, e eu, sem graça, tirei do meu dedo um anel que usava a anos. Ele disse que seria o simbolo da nossa amizade. Nos abraçamos e ele perguntou qua do iríamos nos ver novamente. Eu não sabia e aquilo parecia um adeus.
Trocamos cartas ainda por alguns meses mas por algum motivo ele não me respondeu mais. O numero do celular tinha mudado, o endereço também, e no fim das contas fiquei sabendo que ele estava namorando.
A amizade se perdeu e, quando ou de finalmente voltar, só o consegui ver de longe. Parecia mudado, mais maduro, viril. Aquele garoto que eu tinha conhecido a dois anos atrás ja não era o mesmo.
Talvez eu também não fosse mais o mesmo.
Se dissesse que eu o tinha esquecido estaria mentido vergonhosamente, por que isso nunca aconteceria. O que aconteceu foi que me acostumei a viver sem a sua presença e companhia, apenas com algumas fotos, recordações e noticias por terceiros.
Se possível fosse, apostaria hoje que ele nem se que lembra meu nome, ou quando estudamos juntos. Talvez eu não fosse para ele tão importante como ele foi para mim.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Até Breve

Que bom que foi assim, sem tristeza, sem frieza, sem mentiras e corações partidos. Foi muito bom ter te reencontrado depois de tanto tempo, ter lhe visto, conversado, visto com meus próprios olhos que está bem e feliz. Sabe aquelas aspas que eu sempre esqueço de fechar na minha vida? Então, dessa vez eu vou conseguir, pois entendi que o que vivemos agora é passado, um lindo e feliz passado.
Não tente apagar da memória os nossos momentos bons, mas também não precisa espalhar pro mundo o que vivemos. Sim, foi lindo, mágico, encantador, surreal e tudo o que se possa imaginar, mas acabou. Na verdade acabou a algum tempo mas só agora eu posso ver isso. Ver que você conseguiu fechar as aspas na sua vida e apenas eu demorei a perceber que não havia mais espaço pra mim.
Sei que em poucos anos vai parar e pensar como estou, a gente provavelmente manterá contato, mesmo que escasso, e em alum dia você vai querer me ver, vai me ligar e marcar em algum café. Eu irei sim, por que fizemos parte um do outro por um tempo na nossa vida, e mesmo que isso não seja no futuro, vou querer saber como foi a sua vida depois dessa carta. Quantos filhos teve, quantas vezes se casou, como foi a faculdade, essas coisas. Vamos conversar por algumas horas e você vai querer saber como estão meus pais, quando foi que tomei a decisão mais importante da minha vida, se tive filho e se consegui fechar todos os parênteses abertos na minha vida, e eu, provavelmente, direi que ainda estou tentando embora o nosso já tenha sido fechado e a conversa seria apenas por que o único sentimento que restou foi a amizade.
É, acho que é isso. Simples como a água. Quero apenas agradecer por ter participado ativamente na minha vida durante um período importante, e dizer que o sentimento existe, sempre existiu e sempre existirá, mas que a partir de agora, será transformado em outro para melhor reaproveitamento do conteúdo contido nas nossas vidas.

Até breve, espero.


As Coisas Boas da Vida




Coisa boa na vida é poder ver o sol nascendo, o brilho clareando o horizonte, o cheiro doce de relva molhada, a grama serenada, o ventinho frio da manhã acontecendo. O bom dia no trabalho, o sorriso da criança, os olhinhos com remela, o leitinho morno na mamadeira, o abraço quentinho, a alegria de estar ali pra ver isso acontecer.
Coisa boa é o almoço no refeitório, as bocas meladas de comida, o orgulho da criança dizendo que comeu tudo. Coisa boa é ver a primeira colherada, os olhinhos brilhando e a vontade de comer. Coisa boa é o soninho da tarde, o Tetê depois de acordar, o banho e as brincadeiras. Coisa boa é ver a imaginação florindo, os dentes crescendo, a chupeta caindo. É ver a ingenuidade permanente de uma criança abraçando o amiguinho, emprestando o brinquedo, ajudando a por o sapato. O carinho depois da queda, o cheirinho na testa, o papo, a conversa, a língua estranha onde se fala tudo e se entende pouco.
Coisa boa é ouvir alguém lhe chamar de tio, pai, mãe, ou de qualquer outra coisa mas com carinho. Coisa boa e dar e receber carinho. 
Coisa boa é o beijo da despedida, o sorriso sem dentes, o adeus da mão pequena que no outro dia vem chamando com pressa.
Coisa boa na vida é viajar todos os dias mesmo que só por 20 minutos. É ficar surpreso em saber que as pessoas se preocupam com você, que querem o seu bem, o seu melhor. Coisa boa é ter com quem contar nas horas boa e difíceis. É ter alguém pra sair pra beber, pra comer, pra dançar, pra assistir filme, pra rir, pra chorar, pra conversar, pra dar concelhos.
Coisa boa é ter amigos para todas as horas, mesmo que distantes. 
Coisa boa é saber que é amado. É ter amigos e familia ao seu lado. É ter parentes distantes do corpo e unidos na mente.
Coisa boa é ter celular pra falar com todo mundo, dizer que esta com saudades e desejar coisas boas. É poder ouvir as vocês e ver as faces de quem se quer bem.
Coisa boa é planejar uma viajem, e melhor ainda, fazer a viajem. Coisa boa é marcar encontros, com amigos ou não. Coisa boa é contato de pele, olho no olho, pra não deixar duvidas.
Coisa boa é poder dizer isso livre de qualwer influência, apenas pela pura expressão do sentimento vivido.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Interpretando o Amor



Algumas pessoas precisam de tudo para viver. Na verdade de um todo. Presença, sentimento, corpo e alma como dizem. Estes, passam a vida inteira procurando encontrar a cara metade, o "verdadeiro amor", a alma gêmea. Na maioria das vezes, casam-se e divorciam-se diversas vezes esperando encontrar o príncipe encantado e na verdade, nunca encontram.
Buscam nas pessoas o que na verdade não encontram nem em si mesmas. Buscam o belo, o perfeito, o inquestionável, o sentimentalismo, a amabilidade e doçura, sentimentos que nem todos tem. Mas mesmo assim, a busca incansável nunca termina e assim, no meio da estrada, vão ficando relacionamentos não terminados, vidas desfeitas, culpa e corações quebrados. Sim, é do ser humano machucar a sí mesmo a aos que estão à nossa volta.
No fim das contas, acabam desistindo do relacionamento perfeito e se contentando com qualquer coisa, ou com nada talvez. O amor à vida se vai e o que antes era viver, passa a ser apenas existir.
Há aqueles também que precisam de pouco ou nada para viver. Digo daqueles que são completos, as famosas frigideiras que não precisam de tampa. Esses se completam sozinhos, são felizes na totalidade das coisas independentes e viris. Esses vivem a vida na sua mais alta totalidade. Sentimentos, emoções, amores, tudo o que se pode pensar. Essas pessoas são completas por que se amam em primeiro lugar e não precisam provar nada a ninguém. Não dependem do amor do outro, ou de discutir a relação altas horas da madrugada.
Esses são isentos de dores e percas pois sempre se ama e sempre se deixa livre, não se pertencem. Não precisam que o outro demonstre sentimento ou diga eu te amo, não precisam estarem juntos a todo momento para se amarem, e o melhor de tudo, ninguém some da vida deles se não quiser, e mesmo que queira e saia, quando voltar, nada mudará, pois a cumplicidade é maior que tudo.
Esses não precisam de eu te amo. Apenas de um abraço forte, um sorriso no rosto e olhos brilhantes. Eles não ligam pro que pensam deles nem o que fará a diferença. Eles não se importam com seu passado ou futuro nem se a relação durará um mês, um ano ou dez. Eles querem viver, e se apaixonar, e viver mais e se apaixonar de novo e não precisar de exclusividade no amor. Não se pode dividir o amor.
Não existe ciúmes nem possessão. Não há medidas no amor, só se pode amar.