terça-feira, 14 de abril de 2015
No Tempo da Escola
No tempo da escola, a um bom tempo atrás eu tinha um amigo em especial. Lindo, charmoso, inteligente, sensível.... Um verdadeiro lord. Seu cabelo meio longo, sedoso e perfumado era um dos seus charmes. Os olhos escondidos em óculos de largura espessa, castanhos como uma nós, eram ocultos aos que não prestassem profunda atenção.
Um dia, talvez espantado por eu tanto olhar para seus olhos, me perguntou o que tanto me interessava. Disse que queria saber realmente de que cor eram seus olhos. Ele, simpático e gentil como sempre, tirou seus óculos sacudindo o cabelo preto, exalando o cheiro do seu perfume. Me entorpessendo com apenas um trago, e então, pude constatar rapidamente a profundidade daqueles lindos olhos.
A boca, o sorriso, pareciam de um boneco inanimado tamanha perfeição. O corpo, talhado em rocha, de cor branco mas não pálido. A mistura perfeita das cores da pele.
Foi talvez esse o primeiro amor da minha infância. Eu tinha apenas 11 anos mas aquele garoto era tudo o que eu desejava na minha vida. Nada fazia sentido se não tivesse ele comigo.
Mas foi aí que houve uma drástica mudança na minha vida. Teria que ir embora, ir pra um lugar desconhecido, sem parentes e amigos, sem alguém pra conversar... Teria que me mudar pra outro lugar. E fui. Nunca vou esquecer aquele 12 de dezembro.
Conversamos um pouco e ele tirou do bolso uma santinha com laço vermelho que carregava consigo. Ele disse que me protegeria. Perguntou o que eu tinha para ele, e eu, sem graça, tirei do meu dedo um anel que usava a anos. Ele disse que seria o simbolo da nossa amizade. Nos abraçamos e ele perguntou qua do iríamos nos ver novamente. Eu não sabia e aquilo parecia um adeus.
Trocamos cartas ainda por alguns meses mas por algum motivo ele não me respondeu mais. O numero do celular tinha mudado, o endereço também, e no fim das contas fiquei sabendo que ele estava namorando.
A amizade se perdeu e, quando ou de finalmente voltar, só o consegui ver de longe. Parecia mudado, mais maduro, viril. Aquele garoto que eu tinha conhecido a dois anos atrás ja não era o mesmo.
Talvez eu também não fosse mais o mesmo.
Se dissesse que eu o tinha esquecido estaria mentido vergonhosamente, por que isso nunca aconteceria. O que aconteceu foi que me acostumei a viver sem a sua presença e companhia, apenas com algumas fotos, recordações e noticias por terceiros.
Se possível fosse, apostaria hoje que ele nem se que lembra meu nome, ou quando estudamos juntos. Talvez eu não fosse para ele tão importante como ele foi para mim.
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